Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) para o Transtorno do Humor Bipolar: um Estudo de Revisão
DOI:
https://doi.org/10.18761/PAC.ACT.031Palavras-chave:
ACT, transtorno do humor bipolar, mania, depressão, revisãoResumo
O Transtorno do Humor Bipolar (TB) é um transtorno psiquiátrico grave caracterizado por episódios de mania e depressão, associado a alta morbidade e mortalidade. Embora tratamentos farmacológicos e psicoterapias tradicionais apresentem eficácia, a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) surge como uma abordagem promissora, ainda pouco explorada nessa população. O presente estudo apresenta uma revisão narrativa com busca dirigida de artigos no PubMed, focada em ensaios clínicos publicados sobre o uso da ACT em indivíduos com TB, avaliando sua eficácia, desafios e aplicabilidade. Foram identificados 14 artigos, dos quais 7 atenderam aos critérios de inclusão. Os estudos foram analisados quanto à metodologia, desfechos avaliados e intervenções realizadas. Dos sete estudos incluídos nesta revisão, cinco utilizaram intervenções autoguiadas por aplicativo móvel, enquanto apenas dois estudos descreveram intervenções realizadas diretamente por psicoterapeutas. A maioria das intervenções focou em condições comórbidas, principalmente o tabagismo e ansiedade, e não nos sintomas centrais do TB, como depressão e mania. Ademais, os estudos utilizando intervenções digitais assíncronas destacaram principalmente aspectos relacionados à aceitabilidade e à aplicabilidade dos aplicativos, apresentando poucos resultados sobre a eficácia clínica dessas intervenções. Nenhum estudo trouxe evidências sobre superioridade de um formato de intervenção sobre outro, sendo necessários ensaios futuros mais específicos e controlados para esclarecer essa questão. Embora os estudos ofereçam um panorama inicial, a heterogeneidade dos estudos limita a obtenção de conclusões consistentes sobre a eficácia da ACT no tratamento do TB. Estudos futuros devem priorizar desenhos metodológicos maiores, incluindo intervenções específicas para o TB, conduzidas por psicoterapeutas treinados, com medidas padronizadas de desfechos e comparação entre diferentes formatos terapêuticos.